O Sexto Sentido (1999), de M. Night Shyamalan | O que você vê?

Sinopse

O Dr. Malcolm Crowe (Bruce Willis) é um conceituado psicólogo infantil que vive atormentado pela terrível lembrança de um jovem paciente que ele não conseguiu ajudar. Quando ele encontra Cole Sear (Haley Joel Osment), um garoto de oito anos assustado e confuso, o Dr. Crowe procura redimir seu erro do passado, fazendo tudo que pode pelo menino. Mas ele não está preparado para a descoberta do sexto sentido de Cole.

Um filme sobre a vida após a morte e o luto

Um psicólogo, um menino sensível e um mistério que envolve medo, silêncio e algo que está além do olhar comum.

O que mais chama atenção é como o filme nos lembra que o mundo nunca se esgota naquilo que vemos.

Há sentimentos não-ditos, dores não compartilhadas, presenças que são sentidas sem que se saiba como nomeá-las. Não os entendemos por completo, mas eles nos afetam profundamente.

O menino Cole vive cercado por algo que ele percebe, mas não consegue compreender totalmente. E isso o assusta.

O desconhecido, aquilo que não podemos controlar, aquilo que não cabe nos nossos planos, costuma gerar medo.

Através da ajuda do Dr. Malcom, Cole descobre que o medo diminui quando se escuta aquilo que ele tenta comunicar.

Às vezes, aquilo que mais evitamos é justamente o que mais precisa ser visto.

Muitas vezes interpretamos uma situação sem enxergar tudo: o que o outro sente, o que não foi falado, o que precedeu o evento em questão e o que está escondido no silêncio.

A finitude — o limite que torna possível qualquer sentido — é uma dessas coisas que quase nunca aparece diretamente.

Vivemos alheios à morte… até que algo nos lembra, de repente, que somos finitos.

É como se a vida tivesse camadas visíveis e invisíveis.

E só quando conectamos as duas é que o sentido aparece.

Quando fugimos da finitude, nossa própria vida fica mais estreita. Mas, quando olhamos para ela, mesmo que de relance, algo muda:

  • O tempo ganha valor;
  • Os vínculos se tornam mais presentes;
  • O silêncio fica menos ameaçador;
  • O medo transparece um sentido.

O filme convida justamente a isso: reconhecer que existe algo da vida que não está à vista, mas que nos chama a olhar um pouco mais a fundo.

Finitude não é o fim.

É o lembrete silencioso de que a vida tem profundidades que nem sempre vemos de primeira.

Todos vamos morrer.

Ao nos depararmos com esse fato, somos impulsionados a fazer escolhas, diante de tudo o que o mundo nos apresenta como possibilidade, para então decidirmos o modo como desejamos viver.

Essa decisão nos coloca em xeque porque uma vez que a morte bate à porta, todas estas possibilidades de existência são arrancadas de nossas mãos.

Diante da certeza da morte, podemos escolher evitá-la ou encará-la. 

Assumir uma postura de indiferença perante o inevitável é algo que a maioria de nós fazemos. 

Isso acaba nos distanciando, gradativamente, da escolha por encará-la, ou seja, de aceitar todas as condições impostas por ela e assim, tornar-se um ser livre.

Negar o próprio fim, até em uma perspectiva de transcender a morte, eternizando a existência, pode ser uma ilusão perigosa, no sentido de nos afastar da apropriação do nosso existir, da nossa vida aqui e agora.

A vida não tem um sentido pré-determinado, ela é um eterno vazio.

Cabe a cada um de nós preenchê-la e guiá-la.

O sentido da vida advém das escolhas que tomamos e é a partir delas que o vazio se preenche, da construção da nossa própria história.

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