Nós: O Atlântico em Solitário, de Tamara Klink | “É assim que tudo acaba: com um novo começo”

“É preciso ir longe, pelo menos uma vez na vida, para descobrir o prazer de estar de volta.”

Deitada sobre o manto de areia,

Observo o céu estrelado e reverencio os astros como se brilhassem para mim.

A terra firme que outrora foi meu refúgio,

Hoje me engole e me obriga a atracar nas suas camadas mais profundas.

As estrelas agora parecem estar no mar,

E num tom de aviso para não me aproximar, parece que só faz é me puxar,

Quase como se me dissesse ser o único com o poder de me salvar.

Suas águas profundas entoam meu nome como no canto de uma sereia.

Submersa na vasta imensidão do azul do mar,

Vejo que estou só e incompleta.

Um feixe de luz irrompe na escuridão.

Os sonhos me chamam de volta a superfície.

Como um barco a navegar,

Agora somos eu, as estrelas e as ondas do mar.

“O medo de não conseguir partir se torna maior do que o medo de não completar a viagem.”

“Será preciso aceitar que o barco nunca estará pronto. Nem eu.”
“E que jamais terei certeza de que saberei fazer um caminho que nunca fiz.”

“O resto do mundo não para só porque a gente se isolou dele.”

“O primeiro perigo estava em ficar no lugar de onde eu vim, renunciar à pequena possibilidade do sonho e, todo dia, tomar a mesma decisão de adiar a descoberta de mim mesma.”

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